Portais da Coerente Incoerência Poética


21/05/2014


Sociedade das genitálias

 

 

Num momento de repente,

Um anus, uma vagina e um penis,

Sem motivo ou explicação aparente,

Descobriram que sabiam falar,

Tal circunstância inusitada,

Causou neles e noutros iguais por osmose,

Uma profunda psicose,

E todos passaram a crer não se sabe o motivo,

Que também sabiam pensar,

Assim foram todos se juntando,

E passaram a escrever palavras,

Passaram a contar histórias,

Sobre seu futuro, seu presente e seu passado,

Construíram uma aldeia,

Depois uma cidade, depois um país,

E por fim nasceu um mundo...

Mas esse mundo (como se pode imaginar),

Era confuso, insólito, pregresso, caótico!

Pois o que movia dia a dia, noite a noite,

A todos estes “seres” não era nenhum pensamento,

Movia-os somente o desejo de esfregar-se ou entrar uns nos outros,

Pois na realidade não importava a indumentária por fora,

Já que por dentro nunca foram seres pensantes,

Continuavam simplesmente,

Sendo cús, bocetas e pintos falantes.

 

 

Ivan Neris 20/05/2014

 

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 23h44
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17/10/2013


Para mim

 

 

 

E com a procura do meu eu, 

Esse eu que sigo sempre perdendo,

Entre as fadigas da mórbida condição humana,

Entre os porquês da solidão do pensar,

Entre as noites vagueadas entre a fumaça,

A embriagues e a angustia de também ser efêmero.

Esse meu eu que voa entre aeronaves

E baila entre engarrafamentos.

Esse meu eu que se espalha entre conversas 

E inquietações nas planícies da filosofia.

Esse meu eu que ama e que odeia,

Que dorme suado e acorda preto e branco.

Esse meu eu delirante sobre o impossível.

Esse meu eu que é pálido desde cedo,

Que é faminto desde há primeira hora,

Que é cafajeste desde o augusto sopro.

Esse meu eu que se alivia da dor,

Com qualquer ejaculação que se quede.

Esse meu eu que foi e será meu único remédio

E minha melhor doença.

Esse meu eu que agride que afaga, que fica bonzinho.

As estações passam e lá da frente,

Me fazem sinais para segui-las,

Por jamais ser capaz de reconhecê-lo disfarçado,

É a forma que eu invento de continuar andando.

 

 

Ivan Neris 17/10/2014

Escrito por Ivan Neris às 19h58
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20/09/2013


Poesias sobre coisas três

 

 

Vamos para longe, vamos correndo para longe,

Qualquer espaço, qualquer morada, qualquer lugar que seja longe,

Aqui a saúde de José é eterna, pois José é duro!

Vamos procurar a fonte das borboletas,

Lá onde o medo é medo e a loucura é loucura,

Vamos imigrar aos cachos,

Passar uma borracha no que hoje é ruína

E revelar o muito que seremos,

Precisamos com urgência redescobrir pequenas coisas comuns,

Pequenos gestos comuns,

Pequenos sofrimentos comuns,

Todas as pequenas ligações entre nós e casa ao lado,

Entre nós e a pessoa ao lado,

Vamos fugir para longe desse barulho ensurdecedor,

Que a abóboda faz ao se rachar,

Lá onde é longe e a miragem é continua,

Podemos falar da memória da chuva,

Do segredo do vento,

Da objeção da fumaça,

Vamos...

 

Escrito por Ivan Neris às 04h02
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21/05/2013


 

Ouvirás

  

De repente, num instante plácido e sulfúrico,

Eu senti saudades dos meus discos,

Saudades das minhas filhas,

Saudades da vida que nunca tive,

Saudades desse mim, que nunca pude ser,

Saudades das trilhas de torpor,

Na fria madrugada cinzenta.

De repente eu senti saudades do meu pai,

Saudades de minha mãe

E saudades do meu pai e de minha mãe.

De repente eu agora!

Sinto uma corrosiva saudade dos amigos,

Dos tempos idos, das infelicidades de ontem.

A vida me disse algo ao ouvido certo dia:

_ Nada é para sempre!

O que ela esqueceu-se de me dizer, é que nada é para agora...

A televisão nos disse sempre que há toda uma vida lá fora,

Enquanto nos arrancava toda a vida aqui dentro.

Todo esse meu olhar incisivo, é o olhar de um tempo errado,

E por isso eu erro pelo mundo,

Sem saber de mim nada mais que nada.

Mas quem é que sabe de si algo que seja puramente verdadeiro?

Por fim me engolfa o tumulto das contas e o sobreviver que soterra o viver.

E toda chama de humano segue rasurada,

Tudo o que ouço e vejo me prova que neste mundo,

Quase tudo é sintomático,

Gostaria de poder sequenciar toda a doença e curá-la.

Mas também para quê?

Os carros passam, os aviões voam,

Os pintos sobem e as calcinhas ou cuecas descem,

E tudo e todo mundo continua sentindo,

Sentindo e comprimindo seus sentidos,

No sentido errado.

Mas o que é que eu sei sobre calendários e compras?

Eu que ainda por pirraça e direito fumo meus cigarros,

Eu que nesta vida nunca quis desta vida,

E nesta vida sigo enterrado vivo.

E que por desuso vejo!

E ando e falo, sozinho em meu quarto...

Já nem sei se me interesso pelo gosto da salada!

Que maçada! Me diria agora Pessoa.

 

 

Ivan Neris 21/05/2013

 

Escrito por Ivan Neris às 22h07
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18/05/2013


 

Mundo sem Sofia

 

 

Se é aqui que a curva para,

Como é que abala a hora,

Do revólver que revolve o prumo?

Em Suma a meta é ir,

Para até quando aquilo que fizemos de nós,

Possa superar como criação o criador,

E dentre cumes e raízes,

Nossas cicatrizes podem sem fim,

Alimentar-se de água!

Sinto que mundo, meu irmão e casca,

Espera nalgum verso (de qualquer um), ver o reverso do que lhe assusta,

Mas para os ateus e profetas eu por ética devo advertir,

Aqui deste gêiser não jorrará nenhuma saída.

Pois em seu ventre apenas perguntas flutuam,

Apenas certezas diante de imagens se organizam,

E enfim, são somente imagens o real,

Nada é a verdade, nada responde a verdade,

Nada propoe a verdade,

Só uma certeza prospera neste submundo sem padrões,

A de que a forma não constrói a forma,

E que a ilusão quando “todo” realiza a alegria,

Pergunto então já que nada mais me impede,

O que ofereceríamos em lugar da fantasia,

Poderia conter qualquer alegria?

 

 

Ivan Neris poeta, 18/05/2013

 

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 22h30
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03/05/2013


 

O corpo que cai

 

 

Da janela da vida o corpo se olha,

Se olha, mas não se vê e tão pouco se entende,

A altura é imensa de cima a baixo,

São séculos e séculos de andares,

O corpo se pensa, porem não se sabe,

Imagina, teoriza, diz-se mas não se enxerga!

Lá quase como grãos, estão suas pessoas,

E uma pessoa também, ele não sabe que é.

Por não saber-se pessoa, o corpo age,

Indeterminadamente, anda!

E o corpo, exala sua solidão augusta no ar.

Este corpo, todo mundo que é ninguém,

Não ama, explora mutuamente aquele corpo,

E sente, mas não sabe que sente.

E ri, mas seu riso é murcho.

Agora a paisagem desse corpo,

É o imenso turbilhão de palavras,

Que foram ditas desde o inicio do tempo.

O corpo segue doente e nunca sara!

Por isso, tende o corpo a equilibrar-se no parapeito,

Ai que jubilo! O Corpo até que enfim cai...

Sobre a história do mundo,

O corpo se resvala e no presente se estatela,

O corpo, sem olhares se esvai e vai,

Para nunca mais voltar.

 

 

Ivan Neris 03/05/2013

 

 

Escrito por Ivan Neris às 22h36
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29/04/2013


 

 

Abril

 

 Apesar de ser abril no cheiro, esse tempo de agora,


No gosto é qualquer coisa entre sangue e amoníaco,

Mas mesmo assim é bonito...

Não fosse essa mosca que abano e que depois volta,

Para pousar as grotescas patinhas e sorver o sumo,

Desta minha chaga aberta no peito,

Nada mais incomodaria o meu descanso secular.

Nada a não ser o tumultuoso som de motores e falas,

Que planam sobre os ouvidos,

Nada a não ser essa voz que me pergunta o nome,

A cada um quarto de hora,

Me pergunta o nome e me pergunta o nome e me pergunta o nome...

Nada a não ser  o movimento que receoso realizo,

Para estender a mão e alcançar este copo imundo,

Onde bebo toda a verdade do mundo,

Que é tão pouca e tão rala,

Que desce a goela, sem que possa ser sentida

E que por isso, nunca aplaca a minha sede.

Com os olhos frios de esperança,

Eu sou todo aquele que correu para alcançar o futuro

E que espatifou-se em um muro de impossibilidades.

Sou, sua alma, sua vontade insaciada,

Sou sua voz no braile da atmosfera retesada.

 

Ivan Neris 29/04/2013 

 

Escrito por Ivan Neris às 21h06
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19/02/2013


 

Entre bois, boiada! 

 

 

Falo-te do falús que dirão ser eu,

Procrastinado na gaveta da biblioteca,

Entre sombras e peças de roupas,

Esquecidas depois da chuva...

Confesso-te aqui hoje, entre dormentes que aguardam,

Ter me prostituído a sede no intuito célebre,

De negar ao trono de holandês reprodutor,

E por algumas favelas augustas,

Declarar que mais de mim havia ali no cais.

No recomeço da matéria, hoje sol na madrugada lua,

Que ato mais carece de nascer?

Por mim, esse arroto de folhas e florestas,

Bastariam como bibelô dos meus senhores,

Mas não eu, mas eles! Trouxeram até aqui a minha angustia,

E por amor a ela crivo um gesto que jaz morto,

Desde o principio da inverdade,

Entre as feras, fera também! Ali mordi a pétala de minha inocência,

Pois nos corredores do ceticismo a aparência da minha lira,

Ao primeiro olhar lampeja porem ela também prostituta beija,

Graceja e goza com qualquer afago dado,

Sou isso... Diminuto ronco dado nesta madrugada,

Porem a graça desta anedota pobre,

É o que não se soube e que não teve graça.

 

Escrito por Ivan Neris às 00h10
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16/01/2013


 

Chamado

 

 

 

Vinde a mim os loucos! Pois eles herdarão o reino da apartação.

Vinde a minha lira, os transitórios, os confusos, os perdidos,

Venham no meio da jornada, deitar-se no regaço do meu grito antigo,

Deitar-se e descansar até o próximo conflito de interesses,

Até o próximo, desconhecimento de onde quer chegar sua fala,

Até o próximo, sua proposta é insana!

Vinde a mim, os embriagados, os drogados, os incompreendidos...

Venham buscar conforto na poesia insólita dos meus dedos,

Até o próximo porque da sua atitude,

Até o próximo não entendimento do seu afastamento,

Até o próximo momento, onde ninguém entendeu o que você disse,

Nem pôde perceber que ali jazia a solução de tudo.

Vinde a mim, os instáveis, os descabidos, os insolentes,

Os frios e duros por força do cansaço da estrada,

Nesta prada em que se deita este poema,

Tudo é incerto, tudo amanheceu perdido!

Vinde a mim os que berram tolices anti-sociais,

Vinde a mim os que buscam, um outro estado de consciência,

Vinde a mim aqueles que não encontraram deuses na ciência, nem fora dela!

Tantos cantos de acalanto, tenho deixado para vocês entre as minhas palavras...

Vinde e questionemos! E nos opusamos! E digamos pelo menos dessa vez...

...A resposta é não!

 

 

Recife,PE Ivan Neris 16/01/2013

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 22h23
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13/01/2013


Feira de Conservas

 

 

Apropriado o nome Cimitarra por consciência,

Só nalgumas mentes causarei estrago,

Pela trépida lâmina curva, as jugulares da lucidez,

Eis aqui o espetáculo caverna,

Fulgurante ó nação, sem noção detrás da guerra,

Mato ou morro dia a dia,

Ventre espúrio de epifanias,

Que é isso neguinho do boteco?

Papo reto, mente torta!

De sempre vivas e mortas luas,

Cadentes nas ruas ofertas de rins.

Serão de crianças roubadas a mãe?

Pudera, canto solitário a meia noite,

No palco da esquina de Holywood.

 

Ivan Neris 10/01/2013

 

Escrito por Ivan Neris às 21h11
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31/12/2012


Soterrados entre sombras de uma história desconhecida,

Duas fileiras de moribundas pessoas,

Lado a lado, sem falar-se caminham,

E da janela do horizonte,  o velho amigo tempo observa calado.

Minha alma compra bugigangas como souvenir da viajem,

E entre parcelas diluídas de sonhos amargados na espera,

Só os cães guardam esperanças no amanhã.

 

 

 

Ivan Neris 08/12/2012

 

Escrito por Ivan Neris às 11h12
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05/10/2012


Ancora

 

 

Meu verbo se escora na delicia obtusa do silêncio verdadeiro, entre jardins paralelos e filmes de Almodóvar.

Entre serenatas gentis e AVCs florestais,

Ponderando a imensidão do abraço,

Equilibrando as colunas que sustentam o espaço,

Cujo átrio é a lucidez que me cega,

Que me furta a possibilidade de sorrir,

A possibilidade inútil e vigorosa do não entender

E a demais seguir sofrendo o julgo,

 Da felicidade das abelhas.

 

 

Ivan Néris 05/10/2012

 

Escrito por Ivan Neris às 17h32
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25/09/2012


 

Pelas estradas de lume

 

 Qual o alcance da obra de um artista?

 

Até que local dentro de outro ser humano,

Podem chegar tuas ideias, tuas palavras?

Qual o grau de contaminação dos teus conceitos,

É suficiente para que sua arte se comprove necessária?

Qual a real importância de continuar criando?

Onde termina a vida e começa a obra?

Onde termina quem somos e começa o que criamos?

Existem lugares inalcançáveis para o pensamento?

Existem limites para a criatividade?

Existe a criatividade?

Talvez exista no espaço,

Um limbo de onde tudo que se imagina como arte possível,

Aguarde a hora de voltar para casa.

Talvez haja no vácuo, no vazio entre os corpos,

Uma crônica obtusa sobre quem não se sente,

Sobre quem não se sabe, sobre quem não se vê,

Pode ser que das imagens ocultas entre seus parágrafos,

Se extraia a seiva que alimenta esse animal faminto,

Que te acorda na madrugada e te cospe sobre os olhos,

Uma ideia, um mote, uma melodia, um verso, algo...

Não sei, sei que há alguma coisa de inexplicável,

Algo que é intocável, mas que eu intuo que esteja ai,

Entre o subir e descer das cortinas,

Entre o abrir e fechar do pote de tinta,

Entre o vestir e o tirar as sapatilhas,

Entre o afinar e o tocar,

Algo tão pleno quanto um olhar apaixonado,

Tão volumoso quanto o peso de um arrependimento,

Tão ingênuo quanto um ola!

Algo que não cabe em nós em um instante

E que no outro não nos preenche.

Alguma coisa à parte.

 

Ivan Neris 25/09/2012

 

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 20h00
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23/09/2012


 

 

Um Sinal

 

 

 

Um dia, todas as horas terão passado,

Todas as lágrimas terão secado,

Todos os sorrisos terão se apagado,

Todas as criticas terão perdido o sentido,

Todos os lamentos terão silenciado,

Um dia, não mais farão sentido todas as certezas,

Não terão mais importância todas as ofensas,

Não mais ocorrerão constrangimentos,

Um dia que é tão real e concreto quanto hoje,

Todos os sonhos, terão chego ou partido ou nunca se encaminhado,

Nesse dia e após ele, seremos por fim tal qual qualquer palavra,

Que só existe sobre a folha de papel ou de lábios,

Daqueles para quem ela tem alguma importância,

Por conta destes fatos, creio ser urgente e preciso,

Sempre nos movermos na direção do outro,

Mesmo que o caminho esteja bloqueado,

Ou que ele se mostre tortuoso,

É nesse outro, que última porta pode será aberta.

 

 

Ivan Neris  23/09/2012

 

 

Escrito por Ivan Neris às 11h46
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Continuo, Poeta!

 

 

Tão natural quanto a água que se aquece pelo fogo,

Por toda o que nomear como vida,

Segue a poesia, tantas horas estorvo,

Tantas horas único espaço disponível na praça,

Para poder estar.

Ela me manteve real, quando tudo o que era realidade,

Assumiu-se circunstância,

Ela me manteve bicho,

Quando tudo o que se vendia tudo tornava objeto,

Ela me manteve Deus, quando só o que se oferecia,

Era ser homem.

Ela me perguntou o que queria,

Quando só o que podia, era aceitar sem reservas.

Minha poesia me trouxe cativo nestes anos que se foram,

Existindo na escravidão da lucidez irreparável.

Pois sim, te refaço mais esta vez o pedido,

Casa comigo? Poesia.

Escrito por Ivan Neris às 04h26
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