Portais da Coerente Incoerência Poética


15/04/2009


Pela vida e pelo pó

 

 

Ah se o sol nascesse devagar essa noite,

Se a noite brincasse de sonhar comigo,

Se houvesse uma lua que por mim chorasse,

Recorta meu peito uma dor de amor,

Atestando o sopro da vida em meu peito,

Não existem mais visões, nem vilões, nem heróis,

Nem paz, nem retumbe de trovões,

Me desfaço em fumaça púrpura,

Me embriago de segredos inomináveis,

É o ar, é a chuva, é morte recolhida na gravata que enforca,

Não nos sobrou nenhuma eternidade,

Restam aos poucos camelos da palavra

Que por angustia desmesurada permaneceram lúcidos,

Um frio extenso durante a madrugada,

Se há um deus dentro da voz do destino,

Que queime agora os instantes vindouros,

Não foi por ousadia que teci minhas teias sobre os caminhos,

Foi por acreditar que a todo óvulo pertencia o direito a vida.

Alguma forma de vida há de sobrar dos nossos gestos,

Alguma forma de mim há de vingar sobre a poeira,

Um detalhe, um lamento, uma imagem de sorriso, um poema talvez,

Um resquício de voz abafada, recordada pelo vento leste,

Que arranha os arranha-céus paulistas,

Nalgum lugar, outra dimensão qualquer,

Onde exista ou existiu algo que possa ser definido como vida,

Algum som, alguma morte resvalada, alguma fúria recolhida,

Há de parecer-se com o que foi minha vida.

 

 

Ivan Neris 15 – 04 - 2009

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 22h55
[ ]

30/03/2009


O passado e o presente, sombras frescas sobre a tristeza dos meus dias,

Os raios de sol da manhã e um gosto qualquer de chuva na garganta,

Recolhe-se o mundo dentro de tanta esperança tolhida por sonhos parcos,

Miro tantos palcos vazios de passos reais,

Tantos verbos me rasgam o coração enquanto o mártir esfarrapado

De uma sociedade nula escarra um poema na fonte da praça,

Dois dias e mil noites e o açoite delicado da brisa da nostalgia,

Firmando os gestos sobre as asas do tempo,

Meu olhar cai das margens de um Nilo perdido,

E despenca de um mundo desconhecido e initendível,

Ao fim do grito me calo...

 

 

Ivan Neris 30\03\2009

 

 

Escrito por Ivan Neris às 21h49
[ ]

10/01/2009


 

Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo sem procurar

 

 

E eu que dissera ou que diria da vida,

Em mim tudo sempre sobra ou é pouco demais,

Eu que nunca soube nada da vida,

Sempre vi o certo como errado diante dos olhos cansados do mundo

E sempre vi como errado aquilo que a todos consolidavasse como certo,

Eu que tudo o que vislumbrei do real,

Faltou-me como concreto nas escadas do tempo,

Hoje sangro o que não é meu mundo,

Despojado das auroras e seco de memórias quentes,

Eu que tenho estado doente da alma desde sempre

E até quando...

Eu que não vi os Beatles e permaneci inrraizado de besouros cascudos,

Na mata espessa da minha torrencial solidão,

Sempre me distingo surdo e mudo,

Travando as conversas com sinais desconhecidos,

Onde um homem impossível, impossível permanece irreal,

E outro homem claro! Real e ambiguo fala coisas sem sentido,

Nada de cores inusitadas, nada de arquivos transcendentais ou alienigenas,

 Somente elaboradas retóricas recriadas apartir de roteiros cinematográficos,

Nada mais comum do que o pretinho pobre da periferia,

Destilando falas de grandes poetas alvorecidos,

O pretinho cagado e sujo, recriado como Frankstein de si mesmo,

Nas bibliotecas arborizadas do municipio,

Óbvio! Sempre é melhor não contrariar o discurso dos loucos,

Eis a nefasta curriela dos brejos lacosos da inteligência,

Augusta nas virtudes artísticas e benevolente com os bacantes embriagados,

Que Dionísio esquececera no charco.

E tanto e sempre de ouvidos cegos e tanto e sempre de coração rançoso.

"Descanssem o meu leito solitário, na floresta dos homens esquecida,

A sombra de uma cruz e escrevam nela:

- Foi poeta, sonhou, amou na vida!"

 

Neris, Ivan 05 de Janeiro de 2408 - Saturno , e sempre, sempre Febril

Escrito por Ivan Neris às 13h13
[ ]

17/09/2008


 

À sombra do postumundo entre as folhas

Os papéis e letras de um verso banido.

Colho a dor do umbigo e penso em coisas frias,

Sempre escadas e colheitas de febre,

Sempre picos e cometas sem calda,

Sempre um sim e o não sem talvez,

Sempre a galeria de criações inusitadas,

Distante de homem, seiva e cuspe.

Transcendental pára-lamas do carro da morte em vida,

Eis aqui para o bel prazer da lira,

Um poeta com dúvidas sobre o poema,

E um ser absorto no dilema da criação e senda,

Dá-me o vinho e Poe a chapa dentro do pulmão,

Que do cigarro só sei eu.

Pode ser que hajam recomeços,

Pode ser que rompam lustres nos teatros,

Pode ser que luzes conheçam meu nome,

Mas informe prefiro me quedar,

Entre as mãos e para além das conclusões.

 

Ivan Neris 16/092008

Escrito por Ivan Neris às 00h14
[ ]

27/05/2008


Vida Própria

 

Não prendo minha poesia

Aos temas, as estéticas, as linguagens vendáveis,

Se encontra-se nela temas,

Estéticas ou linguagens vendáveis,

Não terá sido um propósito que arbitrariamente,

Tenha imposto a ela.

Ela tem sua própria cara,

Seu cheiro e gosto característicos,

Ela é uma eterna mutante,

Eu respeito isso nela.

Só quero que minha poesia possa crescer,

Casar-se e ter seus filhos.

Se desejar poderá ser uma lésbica que usa esporas e galochas

Ou dançarina de strip-tease em uma boate em Bagdladesh.

 

Ivan Neris, meados de 1999.

 

 

Escrito por Ivan Neris às 18h02
[ ]

13/06/2007


Toda a beleza do mundo

 

 

Um beijo profundo,

Na curva secreta do fim do mundo sim,

Um beijo de desepero talvez,

Não um beijo sujo de uma boca leprosa,

O beijo de uma boca vazia,

De uma boca vadia,

Cheia do gozo sifilítico,

De um padre pedófilo,

Ou o olhar depois do fim da noite,

No alvorecer de um dia fedorento,

Em uma cidade cega, surda e muda,

Eis ai jogado na calçada,

O vosso amor, o vosso beijo,

A sua trepada seca,

Repleta de frases feitas,

De promessas de fidelidade covarde,

Eis a falsa liberdade que perimite,

A traição dos dogmas servilmente aceitos,

Eis a utópica sociedade conteporânea,

Suas filhas e filhos degradados,

Seus valores desfalcados,

Sua mentira escorrendo dos olhos,

Ao peso da bebida e no meio da madrugada,

Eis o homem pérfido e sujo,

Na fria esquina,

Eis o jovem berrando durante a curra,

Na cela lotada da colonia penal,

Eis o corpo esquelético do menino,

Que nunca vira a chuva despencar do céu,

Eis a mulher espremida entre a terra fria

Do terreno baldio e a pica rija do psicopata,

Eis o poeta feio, o poeta rouco, o poeta surdo,

Nadando na solidão de uma verdade propria,

Que ao menos é verdade,

Com os lábios vermelhos e limpos,

De toda essa famosa felicidade...

Sozinho flutuando na folha de sua loucura,

Mas com a alma em paz.

 

 

Escrito por Ivan Neris às 22h57
[ ]

11/07/2006


Nu

 

Um trago para despencar,

O diabo me espera,

Quiz por toda vida teu sorriso amigo !

Fui parido no armagedom,

Voltei do futuro num verso,

Sou complexo nos meus gestos no amanhã,

Fome secreta do meu erro,

Nele encontro a verdade,

De no tosco grito que partiu do meu cú,

Ver enfim nascido o derradeiro filho

Do filho de meu pai,

Sem pescar aparecidas auroras falsas,

Rasgo as calças e nu sou um homem.

 

Ivan Néris 10/07/2006 singela homenagem aos ídolos do clube Cayubi.

 

Escrito por Ivan Neris às 20h33
[ ]

19/06/2006


"Um astro regorgitando astronaves nos beiços da paisagem,

que boquiaberta espera um coraçao aberto

para proliferar suas larvas,

nao concebera o caldo torpe que chamos de sangue,

pois para alem das paisagens nos poetas,

tencionamos constranger a alma humana."

 

Perdoem leitores pois por problemas tecnicos no teclado, estao faltando os acentos...

Ivan Neris

Escrito por Ivan Neris às 00h43
[ ]

26/03/2006


Sonhos secretos,

Romances despertos,

Estàtuas inspiradas em beijos proibidos,

Sentimentos dispostos nas prateleiras da loja da vida,

Caminhos contra os quais rebela-se minha alma rudimentar,

Descanso os làbios em copos gelados de cerveja,

Passeio acompanhado por minhas horas,

Por flores torpes,

ocultas do sol pela chama da incenssatez.

Escrito por Ivan Neris às 18h18
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30/01/2006


Cego

 

O voô cego carregara a boca a um campo alto,

Uma rouca clatera aberta no beco do mundo,

O grito surdo da boca cansada por nunca dizer nada,

Podia ser ouvido em cada coração humano,

Podia ser sentido no olhar de qualquer ser vivo,

Podia permanecer exato dentro de cada grão de poeira,

Podia corromper cada verdade concreta,

Não, não podia ... nada pode esse grito mudo realizar,

Nada pode o poeta insano desejar mostrar,

O mundo são todas as coisas e todas as coisas

São coisas demais para se compreender,

Os galhos do tempo agarram mais e mais meus pelos a cada dia,

É o nada, é o talvez, são as carruagens que não me carregarão,

Sinto o alarido jovem dos artistas ecoar por onde passo,

Mas já não sou o aquele jovem virtuoso de talentos,

Entre mim e o que fui estão as regras do capital,

Estão os dogmas de uma sociedade que não entende o que eu sou,

Estão os dias e as horas que passaram sem aviso,

Sinto-me e enchergo-me um louco encarcerado

Dentro do corpo de um personagem infeliz,

De uma cronica vespertina de algum jornaleco barato,

Todas as minhas ideias vibram acesas nos meus copos,

Todas de todas as palavras de todas as linguas parecem tentar furtar o meu ar,

Mas não há mais ar nos meus pulmões,

Só há fumaça de crematório,

Escrito por Ivan Neris às 21h27
[ ]

As asas da boca eram irreais, porem fortes e potentes,

Conduziram-na para além de qualquer horizonte,

Atrás da linha do absurdo,

Uma região inóspita para a alma,

Dentro do estômago do cãos,

Uma espécie de inferno ancestral para poetas desfeitos pela realidade,

Um jardim de plantas mortas,

Folhas mortas,

Sonhos inevitavelmente mortos,

Entre os quais as luz do sol não pode ter efeito,

Depois do fim do mundo talvez até os poetas torpes,

Poderão encontrar a paz que lhes fora impossível na vida,

Talvez entre as corredeiras de fogo do armagedom,

O preço não importará,

A cor não importará,

O gesto não importá,

A altura ou o ímpeto,

Somente fará diferença  aquele sentimento puro e infante,

De que tudo teria sido possível,

De que amar seria um ser passível de ser tocado,

De que a felicidade e a arte,

Pudece ter sido alcançada por dedos opacos como os meus.

 

Ivan Neris poeta conteporaneo 30/01/2006

 

 

Escrito por Ivan Neris às 21h26
[ ]

23/11/2005


Apresentação

Meu coração é um corcel perigoso,

Salta quando tentam monta-lo,

É uma ave selvagem,

Para ser apreciada prescisa antes ser domada,

Necessita antes ser cativada,

Meu sentimento é uma planta frágil,

Deve ser regada para mostrar seus mais lindos frutos,

Meu desejo é um astro mundano,

Nasce em qualquer paisagem,

Mas não carrega em si,

O mistério do meu amor,

Este está trancado por detrás de muitas portas antigas,

Empoeiradas pelo tempo,

Com trincos enferrujados de solidão,

Minhas verdades são somentes minhas,

Se as divido, o faço para não perder nelas a crença,

Minha razão é um ser incomprencível, pois muda de cor e de cheiro,

Tão rapido quanto a passagem do vento,

Mas não poderia ser diferente,

Não nasci para reafirmar o que escreveram os clérigos,

Por isso faço de mim o que não tem rotá,

Vivo por mim o que não se deve,

Deito-me a cama que me satisfaça,

Embriagado de cachaça,

Torpe louco e sem raça,

Sou o pai que ensinou-me meus dogmas,

Sou a lei que definiu minhas regras,

Longe disso não seria esse poeta,

Seria mais um jovem asceta,

Redescrevendo as falhas do mundo. 

Escrito por Ivan Neris às 20h14
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22/10/2005


Começo dos delirios

 

 

 

As histórias se completam no meio,

As memórias se confundem no lado,

As verdades se refletem fora,

Dentro esta a carne, o cerne de nosso pequeno mundo,

no começo estão os delirios, principios de nossa queda,

do outro lado esta o que não temos, sussurros de manhã nenhuma,

Sobre a mesa, sobre a cama, sobre a pia do banheiro,

A mesma tinta que não pôde ser apagada,

O mesmo grito que não deve ser ouvido,

Os mesmos olhos arrancados de nossos cabelos,

Ouça esse som, gratissimo leitor,

Vê esse vapor catastrófico que planeja o fim do mundo,

Lambe esta americana seiva,

Que escorreu dos nossos passos,

Não houve sangue, quando perdeste tua virgem ingenuidade,

Tua alma de anjo conheceu nas calçadas,

 todos os homens que nada tinham a dizer,

e deste encontro nasceu tua ansia de tornar-se inteiro,

miras mis ojos en alguno beso proibido,

miras mi cantiga sin coracion,

miras mis manos ni el aire de la noche,

sin recuerdos, sin suenõs, sin futuro.

 

Ivan Neris poeta conteporâneo 14/10/2005

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 13h06
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14/10/2005


Cores Acesas

 

 

 

Em todas as cores acesas,em todas as portas fechadas,

Em todos os sonhos desfeitos,

Em todo vazio no leito,

Passeia nossa esparança vadia,

Mendigando um ar que não oprima nosso olhar,

Desejando um adeus que seja mentira,

Esperando um abraço que fosse verdade,

Em cada espaço do nosso ego,

Caminha uma aranha insana,

Colecionando noites em sua teia,

Prosperando entre o charco e a escada,

Entre a fumaça e a madrugada,

Entre o desejo e a solidão,

Em cada pedaço oco de nossa alma,

Se enrraiza uma planta obcena,

Com suas folhas de cobre amargo,

Com seus caules de perversa amizade,

Em cada pedaço de mim,

Passeiam nomes que perderam o sentido sob a luz do dia,

Nomes que pertencem a madrugada,

Nomes que pertencem aos copos,

Nomes que cometem infamias em nossa sala,

Nomes proscritos em nossas agendas.

 

Ivan Neris poeta conteporâneo 14/10/2005

 

 

 

Escrito por Ivan Neris às 20h39
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18/09/2005


Uma lenda sobre o Clow

 

Um sorriso do deus da alegria

Deixou escapar de si,

Uma farpa brilhante e completa,

Ao cair na terra, essa indefesa farpa transformou-se em algo novo,

Um ser de braços e pernas como os outros,

Mas com uma essência completamente diversa de todas as essências dos outros seres,

Pura em sua fidelidade,

Ingênua em sua honestidade,

Perfeito em sua comicidade,

Sua mãe adotiva conhecida como “ verdade” deu-lhe o nome de Clow,

Assim nasceu uma lenda que nunca existiu.

Nas praças, nas ruas, pelos caminhos do mundo,

Clow caminha vigorosamente,

Levando os odores do deus da alegria,

A todos que na alma carreguem a pureza necessária para aceita-lo,

Sua doutrina é a ingenuidade,

Seu mistério é ser capaz de rir de si mesmo,

Sua lei é poder dedilhar a alma do público

E mostrar-lhe a vereda do seu próprio riso,

Mágico, Clow sabe o segredo do desabrochar das flores,

O enigma da cera da abelha,

Entende a sinceridade do canto dos pássaros,

Alimenta-se da generosidade do brilho dos olhos das crianças,

Clow não é um homem, não é uma mulher,

Clow não quer ser um rei, nem é o bobo da corte,

Clow é a expressão da sinceridade que todo homem puro,

Carrega dentro de seu coração.

 

Ivan Neris, poeta conteporâneo 13/072005

  

 

Escrito por Ivan Neris às 19h17
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