Pela vida e pelo pó
Ah se o sol nascesse devagar essa noite,
Se a noite brincasse de sonhar comigo,
Se houvesse uma lua que por mim chorasse,
Recorta meu peito uma dor de amor,
Atestando o sopro da vida em meu peito,
Não existem mais visões, nem vilões, nem heróis,
Nem paz, nem retumbe de trovões,
Me desfaço em fumaça púrpura,
Me embriago de segredos inomináveis,
É o ar, é a chuva, é morte recolhida na gravata que enforca,
Não nos sobrou nenhuma eternidade,
Restam aos poucos camelos da palavra
Que por angustia desmesurada permaneceram lúcidos,
Um frio extenso durante a madrugada,
Se há um deus dentro da voz do destino,
Que queime agora os instantes vindouros,
Não foi por ousadia que teci minhas teias sobre os caminhos,
Foi por acreditar que a todo óvulo pertencia o direito a vida.
Alguma forma de vida há de sobrar dos nossos gestos,
Alguma forma de mim há de vingar sobre a poeira,
Um detalhe, um lamento, uma imagem de sorriso, um poema talvez,
Um resquício de voz abafada, recordada pelo vento leste,
Que arranha os arranha-céus paulistas,
Nalgum lugar, outra dimensão qualquer,
Onde exista ou existiu algo que possa ser definido como vida,
Algum som, alguma morte resvalada, alguma fúria recolhida,
Há de parecer-se com o que foi minha vida.
Ivan Neris 15 – 04 - 2009

Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo sem procurar






Leia este blog no seu celular